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Paramos todas…

Neste 8 de março, nós paramos. Em frente a muros de preconceito e injustiças

08/03/2017 por

Lindo esse movimento mundial em prol da luta pelos direitos das mulheres. Sinto o coração pulsar, com o mundo inteiro vibrando numa enorme onda de mudança. Mas sinto dizer também que sair às ruas só não basta.

Não basta engolir o medo de perder o emprego e empunhar um cartaz dizendo que mulheres merecem salários dignos.

Não é suficiente dizer que estamos de olho nas instituições e que boicotaremos quem não nos respeitarem.

Já não é possível nos limitar a denunciar os casos de violência doméstica, violência obstétrica, abusos morais no ambiente de trabalho… e torcer para que os culpados sejam punidos.

Enquanto não mostrarmos para nossos filhos e filhas que o respeito deve ser incondicional a qualquer ser vivo.

Enquanto não convencermos nossos companheiros de que estamos sofrendo com o excesso de responsabilidades impostas a nós pela sociedade.

Enquanto ainda precisarmos implorar para que o empregador entenda que é preciso criar um plano de carreira para mulheres que contemplem suas famílias.

Enquanto precisarmos utilizar produtos que não são devidamente fiscalizados pelos órgãos competentes.

Enquanto ainda precisarmos repudiar as marcas que nos objetificam.

Enquanto ainda houver nas prateleiras brinquedos e roupas diferentes para meninos e meninas.

Enquanto ainda não há banheiros familiares em todos os locais públicos e de grande circulação de pessoas.

Enquanto ainda julgarmos as mães que deixam filhos na creche, que desmamam antes do tempo, que optam pela cesárea, que preferem o parto domiciliar, que optam em não ter filhos.

Enquanto nossas amigas trans e travestis permanecerem no limbo social, escondidas, amordaçadas.

Enquanto o abismo social ainda comprometer a independência de mulheres negras, indígenas, caiçaras, ribeirinhas…

Enquanto nossos representantes ainda minimizarem a importância da mulher na sociedade

Enquanto excluirmos os homens deste debate…

Pararemos todas: em frente aos muros do preconceito, da exploração e da desigualdade que desde tempos remotos nos impedem de sonhar e de viver plenamente.

Hoje, Dia Internacional de Luta pelo Direito da Mulher, é um dia especial. Juntas podemos mais. Mas ao lado dos amigos, companheiros, pais, contratantes, fornecedores, somos capazes de derrubar paradigmas, desconstruir padrões de comportamento e, enfim, transformar realidades.

Juliana Tavares

Demorou para admitir, mas hoje acha que ser mulher é muito divertido. É jornalista, consultora em Comunicação pela j2 Comunicação e mãe de Matheus, Heitor, dois gatos e uma cã.

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