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Entrevista com a curadora Joselia Aguiar – Flip 2017

A diversidade tem todas as cores

01/08/2017 por

A Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) dispensa grandes apresentações. É um acontecimento artístico-cultural anual imperdível, sempre munida de uma diversidade única e necessária.
A edição da Flip 2017 aconteceu de 26 a 30 de julho e sim, contou com uma programação bem mais cor-de-rosa e negra do que de costume. Uma mistura boa, que deu muito o que falar.
E nossa convidada para um bate-papo aqui pro TDM não poderia deixar de ser Joselia Aguiar, Curadora da Flip e responsável por tantas mudanças positivas nesse cenário.

Bom, vamos lá.

TDM: Essa edição da Flip foi diferente. A começar pelo percentual alto (e inédito) de autores negros convidados: 30%. Mulheres também estavam equiparadas aos homens ao enfeitarem as mesas de discussão (lindo!). Qual o balanço que você faz em torno de toda essa diversidade?

Joselia: Sou muito suspeita para falar, mas tenho o maior orgulho de cada um dos convidados. Costumo repetir que esta Flip 2017 foi plural com autores e autoras absolutamente singulares.

TDM: O projeto da escritora inglesa Joanna Walsh chamado “Read Women” de 2014 e grande repercussão mundial, de lá prá só vem ganhando espaço entre leitores e leitoras. Isso tem influência na Flip na questão de gênero?

Joselia: Esse movimento que, no Brasil, se chama Leia Mulheres tem repercutido em muita gente e em muitos setores. A ele, somo outro, o Vidas Negras Importam, que começou no mundo também quase ao mesmo tempo.

TDM: Uma curiosidade: a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, de grande destaque no momento por sua literatura africana politizada e seu posicionamento feminista, chegou a ser cotada para esta 15ª edição da Flip?

Joselia: Não costumamos divulgar quem foi chamado e não pode vir, até para não invadir a privacidade do autor e autora que às vezes se encontram em situações pessoais que os impedem de viajar. Também porque são nomes que a Flip continuará tentando. De todo modo, vale dizer que a Chimamanda Ngozi Adichie esteve na Flip de 2008; claro, já está na hora de voltar, sim.

TDM: A Flip tem em seu DNA manifestações culturais fortes e relevantes, a gente bem sabe. Teve o forte relato da autora de Ruanda Scholastique Mukasonga, sobre a perda da família no genocídio em seu país, um dos muitos pontos altos desta Flip 2017, sem dúvida. E numa mesa em que também estava Lázaro Ramos, uma senhora negra de 77 anos, a professora Diva Guimarães, que estava na plateia levantou, diante de todos, para discursar sobre sua história marcada por preconceitos e superação, igual a de muitos brasileiros. Foi emocionante. E foram só aplausos. Qual sentimento fica registrado desses momentos tão significativos da festa?

Joselia: Acho que foi uma Flip que envolveu muitos sentimentos ao mesmo tempo, talvez tenha sido uma Flip de emoções fortes, ao menos foi o que senti da parte de autores, do público que me parou na rua e mesmo do pessoal da equipe Flip.

TDM: Joselia, você é a segunda mulher curadora da Flip, depois de Ruth Lanna – o que certamente é um baita motivo de orgulho para todas nós, mulheres. Como isso se dá na prática pra você? E, ter nascido e crescido em Salvador, Bahia, a tornou uma pessoa mais consciente da importância da diversidade?

Joselia: Não me é estranha a paisagem diversa, talvez por isso consiga transitar por ela e até preferi-la. Ser a segunda mulher implica desafios enormes, porque há uma mentalidade em todos os setores que não favorece a presença, e mesmo a liderança, de uma mulher.

TDM: Por fim, mesmo a Flip este ano ter sido tão adversa e realizada com 5 mil pessoas a menos do esperado pela secretaria de turismo de Paraty, qual a impressão que você deixa para nós desta grandiosa edição?

Joselia: Não sei quais são os números finais da Flip. A Flip também é tudo o que ocorre antes e depois. A impressão é de que haverá ainda muito assunto sobre o programa e seus autores e autoras.

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Carol Marçal

Mãe de três meninas, Carol empreende de forma humanizada, é idealizadora e editora do TDM, além de redatora. Apaixonada pela sexualidade e saúde da mulher, ela curte gaita mas não toca, já publicou história infantil, faz karatê e ainda é chocólatra.

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