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Todxs juntxs pela amamentação!

Semana Mundial de Aleitamento Materno pretende mobilizar a sociedade pela causa

31/07/2017 por

“Trabalhar juntos para o bem comum” é o tema da Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) de 2017, que acontece nesta semana. Comemorada desde 1992, o evento, mais que mobilizar a sociedade com ações de apoio à amamentação, pretende buscar o apoio dos governos e diversos setores da sociedade para promover, proteger e apoiar a amamentação e construir alianças que fortaleçam as políticas e programas de aleitamento materno e alimentação infantil, levando em consideração as diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), que preconiza que as crianças devem ser alimentadas exclusivamente com leite materno até os 6 meses de idade, sem nenhum outro alimento complementar ou bebida. Também de acordo com o órgão, as crianças devem receber alimentos complementares (sopas, frutas, verduras, sucos, entre outros alimentos) a partir dos 6 meses, e ainda serem amamentadas até completarem 2 anos de idade.

Inúmeras pesquisas mostram o efeito benéfico do leite materno para a saúde infantil: além de garantir a imunidade dos bebês, pois contém células de defesa e fatores anti-infecciosos capazes de proteger o organismo do recém-nascido, ele promove maior contato da mãe com o bebê, melhorando a sensação e segurança e tranquilidade da criança. Estudos revelaram, ainda, que bebês alimentados exclusivamente com leite materno nos primeiros seis meses têm menos chances de desenvolver sintomas de asma e alergias, e desenvolvem mais rapidamente o cérebro, apresentando melhor desempenho de vocabulário e raciocínio.

Apesar dos avanços nas taxas de aleitamento materno observados na última década, a situação ainda está longe da ideal: apenas 35% da população mundial infantil é alimentada exclusivamente pelo leite materno dos 0 a 4 meses de idade. O Brasil, por sua vez, apresenta impressionantes avanços nesta questão. Segundo uma pesquisa da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) – agência da ONU que representa a OMS nas Américas – e da revista científica britânica The Lancet, nosso país foi reconhecido, em 2016, como referência mundial em aleitamento materno, estando à frente de países como os Estados Unidos, Reino Unido e China, graças às políticas públicas de incentivo à amamentação adotadas há pelo menos 30 anos e ao trabalho de formiguinha feito por coletivos e por mulheres como a consultora de amamentação Rafaella de Aguiar Costa, que também é doula e membro do Grupo Pétala, coletivo multidisciplinar de profissionais que oferece serviços a mulheres e família ao longo do ciclo gravídico-puerperal, com atendimentos particulares, individuais e apoio aos postos públicos de Ubatuba.

Consultoria em amamentação

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O trabalho de Rafaella é orientar mulheres durante a gestação até a superação de dificuldades encontradas no inicio da fase de amamentação. “Apesar dos dados otimistas do Brasil com relação ao índice mundial de amamentação, na prática, ainda são muitos os relatos de mães que não conseguem amamentar por falta de informação adequada”, explica a consultora, cuja própria vivência foi um exemplo de como ainda é longo o caminho a se percorrer pela causa. “Quando eu tive minha primeira filha, ainda na mesa da cesárea, a médica me examinou e viu que eu tinha feito mamoplastia e, por isso, escreveu na minha ficha que eu não iria amamentar, o que nunca foi o meu desejo. Ainda no hospital, meu bico rachou e não recebi qualquer auxílio. Sai de lá com os peitos duros, doloridos e só com orientações para a utilização da mamadeira e de fórmulas. Fui socorrida por uma mulher incrível que me atendeu na véspera de Natal, e me passou as informações corretas para amamentar adequadamente”, recorda.

Entre as recomendações errôneas que recebeu de médicos e enfermeiras, Rafaella cita o uso de conchas e bico de silicone, além de pomadas. “Tive fissuras, mastites e candidíase mamaria, e pior de tudo, os pediatras insistiam em dizer que o meu leite era fraco por causa do baixo peso da minha filha. Contrariando todos os prognósticos, mantive a amamentação exclusiva até os 6 meses, e dei continuidade à amamentação até os 2 anos, mesmo gestante e depois em tandem, que é quando você alimenta dois bebês de idades diferentes ao mesmo tempo. Minhas duas filhas, hoje com 3,5 e 2 anos, seguem lindas e saudáveis”, afirma.

Segundo Rafaella, as mulheres que a procuram, geralmente, são mães de primeira viagem ou mulheres que tiveram a primeira tentativa fracassada e não querem perder outra oportunidade de amamentar. Entre as dúvidas que se apresentam, a mais frequente, segundo ela, é sobre o preparo do peito antes da chegada do bebê. “Muitas mulheres ainda são instruídas a esfregar o bico com bucha ou com toalha para calejar o peito, mas isso acaba machucando e não é efetivo. A melhor coisa a fazer é não lavar o seio com sabonetes, pois isso tira a proteção natural da pele e ainda deixa o bico sensível; e tomar banhos de sol diários na região, sem exageros”, explica.

As fissuras de mamilo causadas pela pega incorreta do bebê também está entre os desafios mais frequentes enfrentados por quem amamenta. “Se o bebê tiver uma pega certinha não machuca tanto. Geralmente, o incômodo persiste até o bico ficar mais resistente”, diz. “Também oriento adequadamente sobre amamentação em livre demanda, observação da mamada, pega, postura, formas de sugar, manejo da apojadura (descida do leite), ordenha e armazenamento de leite materno. Tudo isso para garantir o bem-estar da mamãe e do bebê. Afinal, amamentar é um gesto de amor e merece ser tratado com respeito”, finaliza.

O aleitamento materno é prioridade para o bebê. Por isso, a mamãe que receber qualquer recomendação que seja diferente disso, deve insistir e buscar pela ajuda de quem entende.

Juliana Tavares

Demorou para admitir, mas hoje acha que ser mulher é muito divertido. É jornalista, consultora em Comunicação pela j2 Comunicação e mãe de Matheus, Heitor, dois gatos e uma cã.

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