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Resgate do sagrado feminino

Ela abriu mão de 20 anos do mundo corporativo para atender ao chamado da alma e se dedicar à área terapêutica.

21/08/2017 por

Abrir mão de 20 anos de uma carreira bem sucedida para se dedicar à área terapêutica, auxiliando as pessoas que estão buscando viver os seus processos de cura e de expansão, sob uma ótica universalista e benevolente. Foi exatamente esse o caminho escolhido para ser percorrido por Mônica Schiaschio (Deva Pramila), especialista da área de marketing, turismo e eventos e, hoje, terapeuta holística que atua com grupos interessados no despertar da energia do sagrado feminino, em massagem ayurvedica e terapêutica tântrica. A mudança, que não foi fácil, muito menos repentina, veio para alinhar a sua jornada pessoal com um propósito de vida mais significativo e gratificante.

Em setembro, ela promove o workshop ‘Deusas Contemporâneas – O resgate da feminilidade e do empoderamento para gerar transformações, cura e felicidade’, em Ubatuba, no qual pretende estimular outras mulheres a resgatarem a energia do Sagrado Feminino em suas essências.

O tema não é novidade e, segundo ela, tem uma razão de estar em evidência. Durante muitos séculos, a energia feminina foi reprimida e oprimida e a energia masculina foi exaltada e supervalorizada, o que criou um desequilíbrio que afetou a vida no planeta em muitos níveis: psíquico, emocional, afetivo, social, cultural, político e econômico. “O que se seguiu depois que as mulheres decidiram protestar por seus direitos e contra a ditadura da beleza que estava sendo imposta lá pelos anos 1960, foi o crescimento de um movimento legítimo e positivo, mas enquadrado em estruturas masculinas”, ela explica. “O resultado disso tudo foi o desenvolvimento de características que igualaram as mulheres aos homens, passando uma falsa sensação de conquista e de liberdade. Por isso, hoje, a maioria de nós paga um preço alto para ‘equilibrar os pratos’”, diz.

Nesta entrevista, Mônica explica como esse movimento de resgate do sagrado da mulher pode embasar os alicerces de uma sociedade mais equilibrada e consciente. Que assim seja.

De um tempo pra cá, muito se tem falado do despertar da energia feminina. A que se deve isso?
Isso se deve ao momento planetário em que estamos vivendo. A evolução humana acontece não somente de forma individual (quando cada ser cuida do seu crescimento), mas também em nível coletivo. Para que os seres e o planeta estejam vivenciando a harmonia e a salubridade é preciso que haja o equilíbrio das energias masculina e feminina, em tudo. Porém, durante muitos séculos, a energia feminina foi reprimida e oprimida e a energia masculina foi exaltada e supervalorizada. Isso criou um desequilíbrio absurdo que afetou a vida neste planeta em muitos níveis: psíquico, emocional, afetivo, social, cultural, político e econômico. Esse movimento efervescente que vemos acontecendo nos últimos anos nada mais é do que a própria energia sagrada do feminino emergindo na consciência das mulheres para que a harmonia se restabeleça.

No entanto, a questão do sagrado feminino parece ir na contramão da vida moderna. Diante de tantos compromissos assumidos, das exigências do mercado de trabalho, dos compromissos pessoais que culminam na falta de tempo, como voltar a atenção para o autoconhecimento e os cuidados com o feminino?
Sim, isso parece extremamente contraditório. E de fato é. Mas essa contradição assim se faz porque ainda estamos vivendo dentro dos ditames da sociedade patriarcal, que é a responsável por todo esse desequilíbrio que vivemos atualmente. A forma como vivemos hoje está pautada em estruturas que não contemplam a ciclicidade, a diversidade, introspecção, a intuição, características típicas da energia feminina e, obviamente de nós, mulheres. A gente tentou fazer esse resgate primeiramente lá nos anos 1960, mas o que se seguiu a partir dali veio dentro da estrutura patriarcal. Por isso, não conseguimos avançar muito. Eu não estou criticando o movimento feminista, pelo contrário; ele teve seu papel fundamental para um primeiro passo, acolhendo um grito que ecoava dentro das mulheres na época. Nem tinha como ser diferente: fizemos o que podíamos com a consciência que tínhamos (e com as marcas que carregávamos). Precisamos entender é que a intenção daquele movimento era legítima e positiva, mas a forma e os meios foram equivocados, pois acabaram por nos ‘enquadrar’ dentro das estruturas masculinas. Saímos da repressão para a adequação. Em nenhum desses dois lugares há espaço para sermos o que realmente somos. O resultado disso tudo foi o desenvolvimento de características que nos igualaram aos homens e nos deu a falsa sensação de conquista e de liberdade. Essa dicotomia que hoje toda mulher enfrenta ao tentar ‘equilibrar todos os pratinhos’ é o preço que estamos pagando por querer fazer a coisa certa do jeito errado. Resgatar o sagrado feminino pretende criar esse espaço dentro de nós mesmas e na sociedade, para manifestarmos o que de fato somos, sem ter que pedir desculpa, sem ter que nos adequarmos, sem nos desrespeitarmos.

O que representa o resgate do sagrado feminino para a mulher? É uma mudança de estilo de vida?
Eu não chamaria de estilo de vida, pois isso reduz essa escolha pelo despertar a algo que a princípio pode parecer um modismo. Neste caso, o estilo de vida não é o objetivo final, é somente uma consequência do processo que você optou vivenciar. Quando você decide resgatar a energia do feminino em você, naturalmente vai começar a fazer mudanças em sua vida em diversas áreas, inclusive porque você começa a perceber e entender como você, mulher, funciona e o que de fato te nutre (e aqui estou falando não só de corpo, mas de alma especialmente), quais são as suas reais necessidades (que geralmente são bem diferentes das necessidades que a sociedade patriarcal nos sugeriu, incitou ou até mesmo impôs). A mudança acontece de formas diferentes para cada uma de nós e os frutos dessas mudanças acompanham essa diversidade, incluindo o estilo de vida.

Quais os maiores benefícios do resgate do sagrado feminino para as mulheres?
A mulher quando começa a trilhar o caminho do despertar da energia feminina em si, se apropria de coisas que estavam adormecidas dentro dela. Estou falando do resgate da autenticidade, da criatividade, de sonhos, de valores, da pureza, de habilidades e talentos, do seu prazer, da compaixão, do amor, do seu propósito, das bênçãos e gostosuras da vida, de seu poder inato, enfim. Todas as coisas que fomos abdicando ou abafando por conta das estruturas patriarcais. Ela se lembra de quem é e porque está aqui. Claro que isso não acontece do dia para a noite. É um processo que em muitos momentos pode ser bastante difícil, doloroso ou desconfortável. Mas ele vital.

Mônica-Schiaschio

Juliana Tavares

Demorou para admitir, mas hoje acha que ser mulher é muito divertido. É jornalista, consultora em Comunicação pela j2 Comunicação e mãe de Matheus, Heitor, dois gatos e uma cã.

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