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Desconectar-se é liberdade

Por mais tempo livre e de qualidade, por favor

03/05/2017 por

É libertar-se do forte hábito e da relativamente nova rotina do mundo, que nos transformou em pessoas sempre olhando para as telas luminosas do celular, do computador, do tablet e até do relógio high-tech. De todas as questões do slow que abordamos por aqui, essa é a que mais me afeta e, portanto, das que acho mais importante incentivar (a mim mesma, inclusive). Sempre que fico mais tempo offline, vejo minha mente se acalmar, meus afazares e hobbies muito mais valorizados e o tempo caminhando em um ritmo mais normal.

Permanecer mais tempo offline certamente não é algo fácil, especialmente para quem trabalha na área da comunicação. Desde que a internet veio chegando com força em nossas vidas, volta e meia surge um novo e imperdível aplicativo que, imagine só, já vivemos (bem) sem eles, um dia. Claro que são inegáveis os benefícios da tecnologia e desses mesmos aplicativos que estão aqui para facilitar, e muito, a nossa comunicação, a transmissão de informações, conhecimento e outros vários pontos do dia a dia. Agora mesmo, não estamos aqui nos comunicando graças ao avanço da vida virtual? E ontem eu estava assistindo a um filme de época e me lembrei, que coisa, que já existiu um mundo em que as notícias demoravam meses para chegar.

Só que o que veio para facilitar e aproximar acabou se transformando em vício que tomou conta de tudo, ao invés de fazer parte de maneira saudável. Tornou-se normal ir dormir checando o instagram, abrir os olhos de manhã conferindo as notificações do facebook, ficar online o dia inteiro pelo whatsapp. Se ele sai do ar, como aconteceram algumas vezes no Brasil, é um Deus nos acuda, parece que o universo vai explodir e todo mundo vai sumir junto, de tanto alvoroço. Eu confesso que tiro proveito da calmaria, principalmente porque bater papo online nunca foi das minhas preferências, nisso a vida real sempre ganhou disparado.liberte-se-bruna6

Através de um nada fácil mas essencial processo de autoconhecimento, estou cada dia mais retornando e fortalecendo em mim o que sempre me trouxe uma paz interior e eu havia esquecido/transmutado para a vida como ela é no século XXI, especialmente pela minha área de atuação. Meus hábitos do século passado que mais me alegram são exatamente relacionados ao offline: ler livros em papel, escrever (à mão também, amo cadernos), mais contato com espaços naturais, conhecer novos lugares (inclusive os que não tem 4G ou wi-fi), meditação e yoga e conversas e encontros em pessoa, olhando nos olhos, ouvindo vozes e risadas, sintonizando expressões, compartilhando sabores. E eu me lembro que as melhores fases que tive quando trabalhei em agências ou em meu ex-escritório eram quando a internet não era mais acessada depois do expediente. Aí vem a dualidade: mas como vou ficar mais offline se preciso me comunicar com a família e amigos? Mais ainda, se meu trabalho inclui transmitir informações, conhecer inovações, compartilhar conteúdo, inspirações? Eu digo que dá para fazer tudo isso sem necessariamente continuar no piloto automático do excesso de informações da internet, que suga a nossa energia e nosso tempo, tão precioso e cada dia mais raro. E onde até entramos em uma questão baseada no minimalismo que compartilhei no twitter:

Mais fácil falar que fazer, mas precisa e pronto: escolher o que e quem trazemos para a nossa vida, já que não há espaço/tempo para tudo/todos”.

Não importa quanto tempo a gente fique online, nunca vai ser o suficiente para ler todos os links salvos, acompanhar as postagens de todas as páginas, grupos e amigos e, dependendo, até de responder como gostaríamos cada comentário e mensagem. Então, a opção para buscar uma harmonia e certa organização é evitar ao máximo o desperdício de tempo escolhendo bem e priorizando o que realmente importa, essa é a (moderna) vida. Não precisamos estar disponíveis todo o dia para comprovar que nos importamos com alguém ou com algum assunto, certo? Já experimentou usar o computador, por exemplo, tendo abertas apenas as janelas e programas que você realmente precisa para trabalhar? E com o celular no silencioso e afastado? Se tiver alguma urgência, de repente te ligam no fixo? Como isso é algo que depende da vida de cada um, é algo a se refletir e adaptar. Com certeza na sua vida, de alguma maneira, também dá para viver com menos ansiedade e distrações, mais foco, tempo e bem estar.

Nessa busca por balancear vida real e virtual, mais algumas inspirações que podem ser úteis e encaixadas a todos os estilos de vida:

1 – Limitar o tempo online

À princípio pode parecer algo “radical” ou de gente muito organizada, mas uma certa disciplina nesse ponto é fundamental. Dá para começar estipulando os horários mais tranquilos e menos atarefados para dar aquela conferida nas redes; dá também para deletar os aplicativos que mais te tomam tempo e ocupam espaço do que são realmente necessários; dá para desativar o interminável recebimento de notificações que distraem e aguçam a curiosidade; dá para limpar o recebimento de spams e malas diretas em sua caixa de emails (isso pode ser uma ajuda e isso também). Principalmente os emails de trabalho, que tal se inspirar nessa nova lei francesa? Se está tão difícil assim deixar o telefone e o tablet mais de lado, mais ajudas, ironicamente através de apps: o Moment rastreia quanto tempo você usa o iphone e o ipad todos os dias, incluindo quais os aplicativos mais usados. Daí, estabeleça limites para o tempo com as telas. O BreakFree faz a mesma coisa, para os usuários do Android.

2 – Descubra um hábito/hobby offline

Todo mundo já viveu e vive isso de entrar no facebook só pra ver um negocinho e quando vê nem se lembra mesmo para que tinha entrado e aí já são mais de 23h. Fora do trabalho, vale muito conciliar atividades prazerosas e úteis como um curso, palestras, bate papos, um esporte, criações manuais, experimentar novas receitas na cozinha ou até um cineminha (é uma tela, mas acrescenta bem mais, certo? E o filme tem sua duração muito bem estabelecida, rs).

3 – Durma mais e muito melhor sem eletrônicos no quarto

Essa é maravilhosa para elevar o nosso grau de qualidade de vida! Como eu enfatizei aqui nesse texto, abolir os eletrônicos mais ou menos entre 21h às 9h foi das melhores táticas que já desenvolvi para mim mesma, especialmente, claro, durante a semana. No quarto de dormir, o celular nem entra (o despertador fica no quarto ao lado, então quando não acordo sozinha é até melhor levantar para ter que desligar). Uma coisa que estou pensando em adotar é um despertador old school! Além de tudo, ainda vai dar um ar “vintage” na decoração (olha que nem fazem tantos anos assim..). E ainda, além dos benefícios de ir dormir e acordar com a mente leve, é comprovado que as luzes de computadores e celulares são capazes de ativar neurônios “despertáveis”, o que pode causar insônia, por isso o ideal é não entrar em contato com elas mais ou menos três horas antes de dormir.

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Manter aparelhos nos ambientes de sono também pode prejudicar sua qualidade. Em épocas de hábito de “futucar” no ipad na cama, antes de dormir, não era incomum eu acordar do nada, no meio da noite, e só conseguir dormir de novo amanhecendo, ou seja, arruinando o meu descanso. Por outro lado, está comprovado também que a luz de uma lâmpada não emite os mesmos sinais estimuladores que o celular, então ler um livro é perfeito também para ajudar no ciclo natural do sono. E mais estudos mostram que não há momento mais ideal para se aprender alguma coisa do que antes de dormir.

4 – Pelo menos um encontro por semana, na vida real, com os amigos

Mais uma maravilhosa. Porque mandar videozinhos engraçados ou mesmo conversas enormes pelo whatsapp nunca vão substituir um encontro real, um abraço e as trocas que só acontecem frente a frente. Criar o hábito desses encontros semanais, além de prazeroso, ainda pode evitar/diminuir aquelas desmarcações de última hora, porque a vida anda corrida e atarefada demais… Só se firmar no “compromisso” e, melhor ainda, deixar o celular na bolsa durante o encontro!

Concluindo, quando passamos mais tempo longe de tecnologia, fica muito mais fácil nos ancorarmos e aproveitarmos o momento presente. Aprender a dizer não para a conexão constante aumenta e muito os nossos momentos de pés no chão e reflexão e ajuda até a nos aproximarmos, aos poucos, de nós mesmos e de quem somos de verdade. E isso é de um valor inenarrável, para todos os aspectos da vida.

Nós todos conseguimos, é uma certeza. E sem dúvidas com pouco tempo também conseguimos perceber como uma vida mais offline vale a pena. É aquela história que a gente comenta sobre o slow living, retomar valores esquecidos e os conciliar com inteligência e harmonia aos dias de hoje. E isso a gente só consegue tentando, experimentando, adaptando às nossas particularidades e dia a dia e nos maravilhando com as mudanças.

Alguns dados (assustadores) a mais para refletir (as informações sobre estudos e pesquisas contidas nesse texto são da revista Galileu, se quiser conferir cada um deles só vir aqui):

– 72% dos americanos não conseguem ficar a menos de dois metros de distância do celular durante o dia (alguma dúvida de que isso se encaixa em inúmeros outros países?).

– 20% dos jovens ficam no celular durante o sexo (!).

– O National Cancer Institute afirma que os telefones emitem radiações eletromagnéticas que podem ser absorvidas pelo tecido humano. E, segundo a International Agency for Research on Cancer, essas transmissões podem ser cancerígenas e os riscos aumentam se o celular estiver com wifi ligado, mais ainda em contato com a pele. Ou seja, sempre melhor manter um pouco de distância. E se o celular for dormir no quarto, colocar no modo avião é uma boa opção.

– Estudos mostram que deixar o celular muito perto aumenta a tensão e a ansiedade por novas mensagens, emails e chamadas. Como que relaxa e/ou dorme assim? Quando eu era sócia de uma boate e não estava na festa que estava acontecendo, eu dormia com o celular praticamente no meu rosto, caso acontecesse algo durante a noite e precisassem falar comigo. Mas como não é mais o caso e, se não for o seu também, ou se você não for um médico de plantão, acredito que as mensagens podem ficar para a manhã seguinte, pós café da manhã, certo?

Bruna Miranda

Jornalista e idealizadora do Review Slow Lifestyle. É responsável pela comunicação no Brasil da ONG global Fashion Revolution, que incentiva a Sustentabilidade e a Ética na moda em todo o mundo.

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